Seu filho é ansioso? Como identificar se seu filho (a) está ansioso a ponto de sofrer? Como agir neste momento? À procura destas respostas, o primeiro passo é conversar a respeito. 

Convidamos a autora do Blog Sobregente, Priscilla Andrade Camilo, para falar sobre ansiedade na infância.

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#O que é ansiedade

A ansiedade é um aspecto inerente ao ser humano. É um estado adaptativo natural de alerta que visa proteger o indivíduo de uma ameaça interna ou externa. Por ser um estado natural adaptativo humano está presente também na infância. Há quem defenda que a ansiedade é um comportamento socialmente aprendido, em que nenhuma criança nasce ansiosa e sim se torna ansiosa, no entanto,  há defensores dos fatores biopsicossociais que podem estar relacionados ao desenvolvimento da ansiedade nas crianças.

A ansiedade tem um componente psicológico, fortemente influenciado pela personalidade. Ao longo do desenvolvimento humano é uma resposta à eventos externos ameaçadores e posteriormente à sentimentos abstratos internalizados.

 

#O estado ansioso 

O estado ansioso na infância também pode ser considerado normal ou patológico.

O estado ansioso normal na infância se diferenciará do patológico analisando o contexto das condições desencadeantes, quais características pessoais da criança, o ambiente em que ela vive, além das manifestações investigadas em sua intensidade, duração, frequência e severidade que traga prejuízo na vida psicossocial da criança.

O transtorno de ansiedade patológico na criança se caracteriza por um estado emocional vivenciado com a qualidade subjetiva do medo ou de emoção relacionada à ela, desagradável, dirigida para o futuro e desproporcional à uma ameaça reconhecível com desconforto somático subjetivo e prejuízos no desenvolvimento infantil.

 

#A interferência do ambiente 

Tendo em vista  a sociedade competitiva na qual as crianças são expostas desde cedo, sendo matriculadas em escolas competitivas que atendem muitas vezes à um estado emocional dos pais, esportes que geram muita pressão por performance, ou até mudanças bruscas de escola, cidade e/ou país  podem contribuir por aumentar a incidência da ansiedade.

Segundo Papalia (2014) o medo do perigo e da morte estão entre os maiores medo da infância em todas as épocas. 

Em famílias que vivem marginalizadas expostas à violência e pobreza este índice aumenta consideravelmente, de forma que estas crianças podem desenvolver problemas com sono e concentração escolar. Muitas crianças com transtornos de ansiedade que foram expostas à violência e ao abandono não se permitem vincular com outros pelo medo do abandono e da violência.

 

#Vivendo em um ambiente previsível

As atitudes de pais, responsáveis e professores das crianças podem ser facilitadores do desenvolvimento psicossocial da criança, quando estes se predispõem à comunicar à criança possíveis mudanças no ambiente ou na rotina, tornando assim o ambiente mais previsível à criança. Os pais e responsáveis pela criança podem contribuir também quando possibilitam rotinas à criança na casa com horários para refeições, tarefas e lazer de forma que a criança tenha uma certa previsibilidade ambiental.

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#Atenção ao comportamento

A observação do comportamento da criança por pais ou responsáveis quando esta se apresenta violenta ou irritada, tais comportamentos, podem estar ligadas à angústia e conflitos vivenciados na escola que neste caso necessitará de um ambiente de escuta acolhedor destas angústias.

O enfrentamento ao problema da ansiedade na infância deve ser acompanhado pelos pais e/ou responsáveis comunicando qualquer comportamento que se apresente de modo disfuncional ao médico pediatra. Na maioria das vezes este fará um encaminhamento necessário para avaliação mais criteriosa de um psiquiatra infantil. O tratamento pode envolver o tratamento com fármacos e psicoterapia infantil com recursos específicos à idade da criança que inclui arteterapia e ludoterapia .

 

Fonte: PAPALIA, Diane E. Desenvolvimento Humano. 7 ed. Porto Alegre. Artmed, 2000.

Priscilla Andrade Camilo é paulistana, Psicóloga, Psicoterapeuta Clínica, Mestre em Psicologia Social da Religião e formação em Administração de Empresas.
Abandonou a carreira organizacional para fazer o que ama, se dedicar à clínica, pesquisa e a escrita.
Mãe de dois filhos, casada com o amor da adolescência. Ama viajar, cozinhar para a família, cultiva amizades, participa de corridas de rua e curte muito esportes em geral. Acredita no aqui e agora, mudança sempre é possível, duvida dos pessimistas e é uma sonhadora nata.

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